segunda-feira, 28 de junho de 2010

As crenças e as suas qualidad

1. Defendendo e atacando crenças
Qualquer pessoa tem muitas crenças. Acreditas que o mundo é redondo, que tens um nariz e um coração, que 2 + 2 = 4, que há muita gente no mundo, algumas como nós outras não. Quase toda a gente está de acordo com estas crenças. Mas também há discordâncias. Algumas pessoas acreditam que há um Deus, e algumas não. Algumas acreditam que a medicina convencional é a melhor maneira de lidar com todas as doenças, e algumas não. Algumas acreditam que existe vida inteligente algures no universo, e algumas não. Quando as pessoas discordam, trocam argumentos e provas e tentam persuadir-se mutuamente. Aplicam com frequência designações injuriosas ou lisonjeadoras às crenças em questão. "Isso é falso", "Isso é irracional", "Não tens nenhuma prova", ou "Isso é verdade", "Tenho boas razões para acreditar", "Eu sei".
Usamos estas designações porque há propriedades que queremos que as nossas crenças tenham: queremos que sejam verdadeiras em vez de falsas; queremos ter boas razões em vez de más para acreditar nelas. A teoria do conhecimento ocupa-se destas propriedades, da diferença entre crenças boas e más. A sua importância na filosofia tem origem em duas fontes, uma construtiva e uma destrutiva. A fonte construtiva é que os filósofos tentaram frequentemente encontrar melhores formas de obter crenças. Por exemplo, estudaram o método científico e tentaram ver se é possível descrever as regras científicas que podemos seguir de modo a termos a maior possibilidade de evitar crenças falsas. O racionalismo, o empirismo e o bayesianismo, descritos adiante neste livro, são filosofias construtivas desta espécie. A fonte destrutiva é que a filosofia foi frequentemente apanhada no conflito entre dois conjuntos ou sistemas de crenças. Por exemplo, as pessoas religiosas tentam às vezes encontrar razões filosóficas para se acreditar em Deus, e as pessoas anti-religiosas tentam às vezes encontrar razões filosóficas para mostrar que é irracional acreditar em Deus. Deste modo a teoria do conhecimento ― ou epistemologia como também é chamada, da palavra grega episteme que significa conhecimento ― pode ver-se igualmente envolvida na tentativa de encontrar melhores formas de adquirir crenças e de criticar as que já temos.
Este capítulo introduz as ideias e a terminologia básicas da teoria do conhecimento. Liga a tentativa de melhorar as nossas crenças e arbitrar os conflitos entre sistemas diferentes com as ideias fundamentais do tema. A ideia central aqui é a importância das questões acerca dos géneros de crenças que queremos ter. O capítulo acaba com duas visões extremas, o cepticismo profundo e o externalismo radical, para mostemente, a maior parte dos filósofos que trabalharam em teoria do conhecimento não deram muita atenção às diferentes formas pelas quais as crenças e os modos como as adquirimos podem ser satisfatórios ou insatisfatórios. Eles não perguntaram: Que qualidades queremos que as nossas crenças tenham? E que qualidades não queremos que tenham? A razão disso é que os filósofos com frequência pensaram que a resposta era óbvia: queremos que as nossas crenças sejam verdadeiras e não falsas. Como veremos mais tarde (em particular no capítulo 5), esta resposta não é óbvia. Mas, concentrando-se no desejo de verdade, a maior parte dos filósofos até recentemente descreveram vários ideais para as crenças: modos pelos quais as nossas crenças e os modos como as adquirimos podem ser perfeitamente organizados. Os racionalistas descreveram um ideal no qual argumentos tão poderosos como os de uma prova matemática poderiam demonstrar a verdade de todas as crenças que precisássemos. Os empiristas descreveram um ideal no qual as provas com base no que vemos, ouvimos ou de algum modo percepcionamos poderia dar uma prova adequada para todas as nossas crenças. Um ideal epistemológico contemporâneo, defendido pelo movimento Bayesiano em teoria da probabilidade e teoria do conhecimento, visa descrever os modos pelos quais podemos descobrir exactamente quão provável é cada uma das nossas crenças, tendo em conta as provas que possuímos.
Neste livro discutiremos cada um destes ideais. Uma questão importante acerca de cada um é: serão os seres humanos capazes de cumprir este ideal? Poderemos ter crenças assim? Mas outra questão igualmente importante é: Qual será o preço de satisfazer este ideal? Para ter crenças assim teremos de perder algo de valor?
Um ideal epistemológico muito simples é o de coerência. A coerência é ter crenças que não apenas têm individualmente sentido, mas que se ligam num padrão com sentido. Se acredito que todos os gatos são inteligentes, que o animal do meu vizinho é um gato, e que o animal do meu vizinho é estúpido, então as minhas crenças são incoerentes. Não podem ser todas verdadeiras, e a partir de algumas delas posso dar boas razões para discordar de outras. As minhas crenças podem ser incoerentes igualmente por outras razões. Posso acreditar em muitas coisas que constituem uma forte prova de algo, e no entanto acreditar no oposto. Isto acontece frequentemente quando as pessoas se enganam a elas próprias. Suponhamos, por exemplo, que alguém sabe que o seu filho se mete em lutas na escola, sabe que os professores têm receio dele, sabe que muitas outras crianças estão proibidas de brincar com ele, mas que ainda assim se engana a si mesmo pensando que o seu filho é um anjinho amoroso: as crenças de tal pessoa não serão coerentes.
Por que razão deveremos querer que as nossas crenças sejam coerentes? Uma das razões é que as crenças incoerentes têm tendência para incluir muitas crenças falsas. Outra é que crenças incoerentes são difíceis de defender perante pessoas que as desafiem ou ataquem. Assim, a coerência é um ideal que podemos pôr a nós próprios. Podemos tentar fazer as nossas crenças serem tão coerentes quanto possível. Isto não significa que as crenças de qualquer pessoa poderão ser sempre totalmente coerentes. Todos os seres humanos estarão provavelmente sempre sujeitos a maus raciocínios e a enganaram-se a si mesmos. Somos assim. Mas é um ideal que podemos tentar realizar. É também um ideal que alguém pode decidir não procurar, provavelmente porque pensa que entra em conflito com outro ideal qualquer, tal como o de ter ideias novas e interessantes. No entanto, mesmo para este ideal epistemológico muito simples, há questões a que é preciso responder acerca do preço de o visar e de quão próximo da sua realização se podem realmente aproximar os seres humanos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O JOGO

 Rui Barbosa

De todas as desgraças que penetram no homem pela alma, e arruinam o caráter pela fortuna, a mais grave é, sem dúvida nenhuma, essa: o jogo na sua expressão mãe, o jogo na sua acepção usual, o jogo propriamente dito; em uma palavra, o jogo: os naipes, os dados, a mesa verde.
Permanente como as grandes endemias que devastam a humanidade, universal como o vício, furtivo como o crime, solapado no seu contágio como as invasões purulentas, corruptor de todos os estímulos morais como o álcool, êle zomba da decência, das leis e da polícia, abarca no domínio das suas emanações a sociedade inteira, nivela sob a sua deprimente igualdade todas as classes, mergulha na sua promiscuidade indiferente até os mais baixos volutabros do lixo social, alcança no requinte das suas seduções as alturas mais aristocráticas da inteligência, da riqueza, da autoridade: inutiliza gênios; degrada príncipes; emudece oradores; atira à luta política almas azedas pelo calástismo habitual das paradas infelizes, à família corações degenerados pelo contacto cotidiano de todas as impurezas, à concorrência do trabalho diurno os náufragos das noites tempestuosas do azar; e não raro a violência das indignações furiosas, que vêm estuar no recinto dos parlamentos, é apenas a ressaca das agitações e dos destroços das longas madrugadas do cassino.
Quantos destinos não se contam por ai dominados exclusivamente na sua irremediável esterilidade pela ação desse fadário maligno! Quantas vidas, que a natureza dotara de prendas excelentes para a felicidade própria e o bem dos seus semelhantes, no descontentamento, na revolta, na inveja, na malevolência habitual! Quantos fenômenos inexplicáveis de reação, de cólera, de ódio ao que existe, de despeito contra o que dura, de guerra ao que se eleva, de irreconciliabilidade com o que não se abaixa, não tem a sua origem nos contratempos e amarguras dessas existências aberradas, que, sacudidas continuadamente pelas emoções do inesperado, se alimentam das suas surpresas, se estiolam com as suas decepções, e, vendo a felicidade repartir-se às cegas pela superfície do tabuleiro verde, acabam por supor que a sorte de todos, neste mundo, se distribui com a mesma casualidade, com a mesma desproporção, com a mesma injustiça, acabam por ver no merecimento, no esforço, na economia, na perseverança, coisas fictícias, estranhas ou hostis, acabam por confundir o sudário divino dos mártires do trabalho, com a pobreza exprobratória em que a ociosidade amortalha os desclassificados de todas as profissões!
ivisório entre a sala e a alcova; essa fatalidade, que rouba ao estudo tantos caracteres, ao dever doméstico tantas virtudes, à pátria tantos heroísmos, reina, sob a sua manifestação completa, em esconderijos, onde a palavra se abastarda no salão, onde a personalidade humana se despe do seu pudor, onde a embriaguez da cobiça delira cínica e obscena, onde os maridos blasfemam pragas improferíveis contra a sua honra conjugai, onde, em comunhão odiosa, se contraem amizades inverossímeis, onde o menos que se gasta é o equilíbrio da alma, o menos que se arruina é o ideal, o menos que se dissipa é o tempo, estofo precioso de todas as obras-primas, de todas as utilidades sólidas, de todas as ações grandes.
Inumerável é o número de criaturas, que a tentação, o exemplo, o instinto, o hábito, o acaso, a miséria, levam a passar por esses latíbulos, cuja clientela vai periodicamente fazer-se apodrecer ali, por gozo, por necessidade, por avidez, e na corrupção de cujos mistérios cada iniciado se afaz a ir deixando ficar aos poucos a energia, a fé, o juízo, a nobreza, a honra, a temperança, a caridade, a flor de todos os afetos, cujo perfume embalsama e preserva o caráter.
Aqueles, que, por uma reação do horror no fundo da consciência, logram salvar-se em tempo desses tremendais, poderiam escrever a história da natureza humana vista sob aspectos inomináveis. Outros, porém, presas da vasa, que nunca mais os larga, rolam, e imergem nela de decadência em decadência, cada vez mais saturados, cada vez mais infelizes, cada vez mais afundados no infortúnio, até que a piedade infinita do termo de todas as coisas lhes recolha ao seio do eterno esquecimento, os  restos inúteis de um destino sem epitáfio.
Eis o jogo, o putrefador. Diátese cancerosa das raças anemizadas pela sensualidade e pela preguiça, êle entorpece, caleja e desviriliza os povos, nas fibras de cujo organismo insinuou o seu germe proliferante e inextirpável.
Os desvarios do encilhamento vão e passam como rápidos temporais. São irregularidades violentas das épocas de prosperidade e esperança. Só o jogo não conhece remitências: com a mesma continuidade com que devora as noites do homem ocupado e os dias do ocioso, os milhões do opulento e as migalhas do operário, tripudia uniformemente sobre as sociedades nas quadras de fecundidade e de penúria, de abastança e de fome, de alegria e de luto. É a lepra do vivo e o verme do cadáver.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

É possível uma sociedade Justa?

Por meio desse texto, será possível refletir e opinar sobre problemas que envolvem o conceito “justiça”, trazendo a tona questões como: o que é justiça? Será que a consciência do justo é inata ou é apreendida por meio de convenções? A busca pela justiça é sempre justa? Ao seguir as leis, estamos necessariamente sendo justos? O que temos que levar em conta para julgar se algo é justo ou injusto? Quem é capaz de fazer esse julgamento? Ao analisar essas questões estaremos, ao mesmo tempo, adentrando na problemática relacionada à possibilidade ou não de existir uma sociedade justa.
Baseando-se em alguns dos significados presentes no dicionário digital “Aulete”, justiça significa “Situação em que cada um recebe o que lhe cabe, como resultado de seus atos ou de acordo com os princípios e a lei da sociedade em que vive”. Ao analisar essa interpretação, nos deparamos com alguns problemas que merecem ser apresentados. Logo no início, quando o mesmo salienta que justiça parte de uma situação em que cada um recebe o que lhes cabe, leva-nos a refletir sobre as seguintes questões: que critérios a pessoa que julgar tal ato deverá levar em conta? Existiria uma pessoa capaz de exercer tal função sem que suas decisões venham se tornar injustas? Seguindo o raciocínio, levando em conta agora toda resolução apresentada, pode-se dizer que ao seguir as leis impostas pela constituição, está-se fazendo um julgamento justo? Deve-se levar em conta apenas os resultados dos seus atos ou a sua intenção ou até mesmo os por quês que motivaram o sujeito a praticar determinada atitude? De que princípios o julgamento deve partir?
Segundo Abrão Iuskow, “justiça é aquilo que está conforme o direito” (1998, p. 191). Contudo, ao se referir a palavra direito Iuskow nos apresenta dois viés para entender a palavra direito: Direito Natural e Direito Positivo. Esse último está submetido ao respeito às leis escritas. Já o Direito Natural está relacionado à própria noção de justiça. Ela surge, nesse caso, como uma disposição inata nos seres humanos. Isto é, “existe em virtude da própria natureza humana, uma ordem ou disposição que a razão humana pode descobrir, e segundo a qual a vontade humana deve atuar para se acordar com os fins necessários dos seres humanos” (IUSKOW, 1998, p. 191).
Com essa afirmação Iuskow busca nos informar que somos dotados naturalmente, com ajuda da razão, da capacidade de distinguir uma situação injusta. Para ele, da mesma forma que conseguimos perceber o sabor dos alimentos, há sensores naturais que possibilitam ao ser humano perceber quando determinadas atitudes tornam-se injustas. Nesse caso, podemos utilizar como exemplos atitudes como “furar a fila”. Não é necessário alguém nos ensinar que para uma fila se manter numa ordem justa é preciso que o último a chegar permaneça em seu devido lugar, evitando passar na frente de quem chegou antes. No momento que essa ordem for quebrada, o senso de justiça é despertado, mesmo que o sujeito prejudicado não tenha sido anteriormente instruído.
Tendo em vista isso, pode-se dizer que o direito positivo (lei escrita) possui seu conteúdo calcado sobre o senso racional de justiça. Isto é, as leis que existem estão intimamente relacionadas à noção natural que podemos ter sobre a justiça. Isso acontece pelo fato de as leis escritas não conseguirem, por si sós, garantir que uma decisão seja necessariamente justa. O direito positivo surge como um meio de tornar visível e prática a busca pela justiça. Porém, esse não deve ser o único meio a ser utilizado ao buscar resolver um problema em que esse conceito está em jogo. Para Iuskow, “(…) uma coisa não é justa porque é lei, mas sim que deve ser lei porque é justa (1998 p. 192). A prática da justiça requer algo mais que o simples seguimento das leis, ela requer, do ser humano, sensibilidade em analisar os fatos, levando em conta o contexto e os motivos pelos quais resultou um determinado acontecimento.
Olinto Pegoraro chega a salientar, baseando-se na filosofia clássica, que a justiça caracteriza-se como sendo a virtude da coletividade. Levando em conta essa afirmação, o ser humano somente pode ser considerado virtuoso porque exerce uma função política e social. Ou seja, “ninguém é virtuoso para si, mas em relação aos outros” (1995, 103). Mesmo que os seres humanos sejam dotados de um núcleo subjetivo e único, como é o caso da consciência e a liberdade que cada um possui, o sujeito deverá guiar suas ações tendo em vista o coletivo. È necessário que as escolhas subjetivas estejam de acordo com o bem social, abrindo espaço para a prática da justiça e consequentemente o surgimento dos princípios éticos. Isso porque, conforme salienta Pegoraro “(…) para a filosofia contemporânea e clássica a ética consiste na convivência social e justa de seres humanos, formados para o respeito dos semelhantes e das coisas que lhes pertencem” (1995, p. 103).
Tendo em vista isso, pode-se levantar a seguinte questão: de que forma o seguimento rigoroso das leis poderá promover a justiça se essa levar em conta apenas as ações subjetivas sem precaver-se das necessidades sociais pelas quais resultaram determinadas ações? Assim sendo, tanto os sujeitos particulares quanto as próprias leis devem levar em conta o social. Segundo Pegoraro, “(…) na convivência social justa o homem chega à perfeição de si mesmo” (1995, p. 103). Porém, devido os diversos problemas presentes diariamente em nossa sociedade, somente levando em conta o social é que as leis poderão caminhar em direção à sua perfeição.
Outro significado encontrado no dicionário “Aulete digital” parte de um ordenamento social onde a igualdade é o princípio da justiça. Nele está descrito que a justiça se refere ao “funcionamento harmonioso de uma sociedade, com direitos e deveres iguais para todos os cidadãos”. Nesse sentido, Pegoraro afirma que a justiça “é o princípio da ordem pública” (1995, p. 104). Contudo, ele busca desdobrá-la em duas vertentes: a vida segundo a justiça e a vida social justa. No primeiro caso, a justiça está embasada nos princípios subjetivos de cada indivíduo envolvido. Porém, essas decisões provenientes dos sujeitos particulares devem ser aceitas por todos os atores sociais. Tendo em vista isso, os sujeitos devem respeitar, conhecer e proteger os direitos decorrentes do nascimento humano. Valoriza-se, nesse caso, o direito igual à vida, à educação da vida, à vida saudável, a participação na vida política, a distribuição dos bens materiais e culturais que alimentam a vida. Para Olinto, “estes direitos não se conquistam; são dados pelo nascimento” (1995, p. 105).
Se nessa primeira vertente Pegoraro destaca o papel do subjetivo ao buscar executar ações justas, na segunda ele passa a por em jogo o coletivo. Esse segundo princípio é formulado da seguinte forma: “devemos criar uma ordem social onde a cidadania seja plena e universal” (1995, p. 106). Nesse sentido, a cidadania não é dada apenas pelo nascimento, mas é resultado da participação efetiva do ser humano na vida política e social a ponto de lutar para a construção de estruturas sociais justas. Enquanto nossas estruturas sócio-políticas continuarem excluindo milhões de pessoas dos benefícios humanos básicos, como é o caso da miséria, fome, analfabetismo, sem-teto entre outros problemas, não haverá uma ordem social onde a justiça prepondere.
Tendo em vista toda essa preocupação com o social ao buscar extinguir as desigualdades, pergunta-se: é possível uma sociedade justa em meio a tantas desigualdades? Podem as desigualdades deixar de ser injustas? Parece-nos, até então, que acabar com a desigualdade é a receita para uma sociedade justa. O problema é que, conforme salienta Pegoraro, “as desigualdades são uma realidade irrecusável” (1995, p. 107). Se partirmos somente pelo viés de que para haver justiça é preciso combater as desigualdades, jamais haverá uma ordem social justa. Em toda história existiram desigualdades e por estarmos inseridos em famílias, culturas e condições sociais desiguais ela é inevitável. O que poderá haver é uma forma de administrar as desigualdades por meio da justiça social. Isso porque, “a justiça social não admite que as desigualdades sejam injustas” (PEGORARO, 1995, p. 107).
Assim sendo, não é preciso que haja uma igualitação das condições sociais para que a sociedade se desenvolva de forma justa. Isso porque, se assim for, a justiça será reprimida. È preciso, mesmo em meio a desigualdades, que os sujeitos disponham de liberdade para desenvolver suas potencialidades. Se não há condições sociais iguais é preciso que a justiça social administre as desigualdades de forma que os talentos das pessoas não sejam reprimidos. A injustiça está presente na vida social quando não há estruturas que garantam a todos os cidadãos oportunidades de evoluir em suas condições históricas. Para Pegoraro, “a injustiça social consiste: a) em negar a alguém a oportunidade de progredir em sua vida; b) em criar estruturas de exclusão; c) em evitar a criação de estruturas de promoção das pessoas” (1995, p. 107).
Ao garantir aos sujeitos a liberdade e os meios necessários para que possam desenvolver seus talentos, está-se, ao mesmo tempo, incentivando a desigualdade entre os sujeitos envolvidos. Isso decorre do fato de que há pessoas que possuem mais talentos e capacidades de progredir que outros. Por isso, pergunta-se: seria justo reprimir os talentos para poder então dispor de uma sociedade com um nível menor de desigualdade? Segundo a idéia aqui defendida, a resposta seria negativa. Nossa condição histórica e cultural não permite que as desigualdades sejam extintas. Pode-se até pensar que, pelo fato de haver pessoas com mais habilidades que outras, as injustiças e desigualdades aumentariam. Contudo, a idéia defendida não parte do princípio que a desigualdade seja excluída do sistema social, mas está-se referindo ao deixar todas as pessoas no mesmo patamar de condições. “(…) não é preciso nivelar todos os cidadãos no mesmo patamar; é preciso sim, que as condições de realização se estendam a todos incondicionalmente” (PEGORARO, 1995, p. 108).
Portanto, somente por meio da educação será possível romper com séculos de injustiças pelas quais atingiram milhões de pessoas. Há várias gerações pessoas vêem sofrendo por não possuírem as condições mínimas e necessárias para obter uma vida digna de ser vivida. Sem emprego, educação e saúde torna-se impossível que tais pessoas venham a atingir suas potencialidades. Nesse caso, a sociedade não lhes oferece as condições sociais para crescer conforme seus talentos. Com isso, Pegoraro salienta que a educação é o principal fator para que a sociedade venha dispor de uma ordem social justa. Todo esse problema só será resolvido “pela educação à cidadania que leva as pessoas e comunidade à participação política. Essa conscientização garante também o acesso a uma justa repartição dos bens materiais” (1995, p. 108).

Diego Bechi 
Pós – graduando em Metodologia do Ensino de Filosofia –UPF,
Professor de Filosofia de 5ª à 8ª série em Tapejara – RS


Referências Bibliográficas
PEGORARO, Olinto A. Ética e justiça. Petrópolis: Vozes, 1995.

IUSKOW, Abrão. Cidadão de alto nível. Florianópolis: Sophos, 1998.

PF prende advogada e outros cinco por tráfico de drogas

Seis pessoas, entre elas uma advogada, foram presas na manhã de hoje (17) durante a Operação Patente, da Polícia Federal, deflagrada no Rio de Janeiro com o objetivo de desarticular uma quadrilha de tráfico internacional de armas e drogas.
Segundo a PF, a coordenação das atividades era feita por presidiários ligados à facção criminosa Comando Vermelho, que determinavam todos os passos dos colaboradores em liberdade e até negociavam propinas oferecidas a policiais paraguaios.
Estão sendo cumpridos 15 mandados de prisão, dentre eles o de uma advogada ligada à facção criminosa, e 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Duque de Caxias (Baixada Fluminense), Petrópolis (região serrana do rio) e São Paulo.
Cinco dos mandados de prisão serão entregues diretamente nos presídios, pois os criminosos já estão cumprindo pena por outros delitos. Também serão realizadas seis buscas em celas de presídios do Complexo de Bangu, no Rio.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo

Hoje em dia até quem tem o papel de interceder a favor de alguém, defendendo-o com razões e argumentos, ou seja o advogado, comete barbáries como está. Acho que ter o ônus de exercer com exclusividade a capacidade de dirigir-se a juízo e postular direitos, não significa que você não pode ser um "FORA DA LEI". Nós podemos esperar tudo de um ser humano, julgar as aparências é só uma maneira de pré-conceito que todo ser humano tem dentro de si, um pré-conceito que é impostos pela sociedade e por seus costumes.

"As pessoas escolhem os caminhos que as dão as maiores recompensas com o menor esforço."

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Desespero? Obama fala sobre buscar formas de energia limpa

O EUA preocupado com a catástrofe do vazamento de petróleo do Golfo do México, convocou 17 mil homens da Guarda Civil para ajudar na contenção e na limpeza do vazamento.
O presidente Barack Obama declarou na terça-feira (15) que  "a hora de buscar formas de energias limpas para o futuro, é agora!". Essa declaração vindo de um presidente dos EUA sobre energias limpas é até estranho, indicios de que ele está entrando em tremendo desespero por conta dos gastos presentes e futuros, e percas presentes e futuras em relação ao mercado. Com essa atitude penso que só o que importa são os verdes das notas de dólar, e não o verde da natureza, que para a maioria sempre foi menos importante.
Desesperado agora o Obama nós fala sobre "energia limpa", eles não estão preocupados com  o impacto ambiental do vazamento, e sim do impacto econômico. Fico imaginando o tipo de energia limpa que o EUA está planejando. Só espero que não seja uma descoberta ou uma invenção tão burra quanto a  energia atômica, o petróleo e o capitalismo.

"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome."

Mahatma Gandhi

Sérgio Gabriel da Costa Rubio.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Estilo de vida é responsável pelo desastre ambiental no golfo do México

Thomas L. Friedman

Meu amigo Mark Mykleby, que trabalha no Pentágono, compartilhou comigo esta carta dele que foi publicada na semana passada no jornal de sua cidade, "The Beaufort Gazette", na Carolina do Sul. É a melhor reação que já vi ao vazamento de petróleo da BP - e também o melhor conselho ao presidente Barack Obama sobre exatamente em quem dar um pontapé naquele lugar.
"Eu gostaria de participar do jogo de acusações que passou a definir nossa abordagem nacional do atual desastre ambiental no golfo do México. Ele não é culpa da BP. Não é culpa do governo. É minha culpa. Eu sou culpado e sinto muito. É minha culpa porque eu não digeri as claras sugestões do mundo de que talvez eu devesse pensar no futuro e modificar o modo insustentável como levo minha vida. Se as mudanças geopolíticas, econômicas e tecnológicas da década de 1990 não o fizeram; se os ataques terroristas de 11 de Setembro não o fizeram; se a atual crise econômica não o fez ; talvez esse vazamento de petróleo seja o catalisador para que eu, como cidadão, me livre do meu estilo de vida baseado no petróleo. 'Cidadão' é a palavra-chave. É o que nós fazemos como indivíduos que importa.
Para os da esquerda, a regulamentação do governo não vai resolver esse problema. O papel do governo deveria ser criar um ambiente de oportunidade para aproveitar a inovação e o empreendedorismo que nos definem como americanos. Para os da direita, se você quer menos governo e impostos, então decida o que você vai abandonar e no que vai contribuir. Aqui está a linha final: se quisermos pôr fim a nossa dependência do petróleo, nós, como cidadãos, precisamos: pedalar para o trabalho, plantar uma horta, fazer alguma coisa. Por isso, mais uma vez, o vazamento de petróleo é minha culpa. Sinto muito. Eu não fiz minha parte. Agora preciso convencer minha mulher a desistir de seu carrão. Mark Mykleby."
Eu acho que a carta de Mykleby toca em algo muito importante: não podemos consertar o que prejudica os EUA a menos que examinemos honestamente nossos próprios papéis na criação desses problemas. Nós - ambos os partidos - criamos um horrível conjunto de incentivos que encorajou nossos melhores alunos a ir para Wall Street para criar instrumentos financeiros malucos em vez de ir para o Vale do Silício criar novos produtos para melhorar a vida das pessoas. Nós - ambos os partidos - criamos incentivos fiscais maciços e dinheiro barato para oferecer hipotecas para pessoas que realmente não tinham meios de sustentá-las. E nós - ambos os partidos - mandamos a BP para o golfo para conseguir para nós o máximo de petróleo possível pelo preço mais barato. (É claro que esperávamos que eles tomassem cuidado, mas quando se perfuram poços de petróleo embaixo de 1.500 metros de água, coisas acontecem.)
Como diria Pogo, encontramos o inimigo e ele somos nós.
Mas isso significa que também somos a solução - se formos sérios. Veja, conseguimos sobreviver ao 11 de Setembro sem deixar que ele destruísse nossa sociedade aberta ou o Estado de direito. Conseguimos sobreviver à quebra de Wall Street sem deixar que ela destruísse nossa economia. Possivelmente sobreviveremos ao vazamento de petróleo da BP sem que ele destrua nossos ecossistemas costeiros. Mas não podemos forçar nossa sorte.
Temos de usar essa janela de oportunidade para nos isolarmos o máximo possível de todas as coisas ruins que podemos controlar e ser sérios para resolver os problemas que podemos controlar. Precisamos tornar todo o nosso país mais sustentável. Por isso vamos aprovar uma lei de energia-clima que realmente reduza nossa dependência do petróleo do Oriente Médio. Vamos aprovar uma reforma dos regulamentos financeiros que realmente reduza a probabilidade de outra crise bancária. Vamos colocar nossa casa fiscal em ordem, enquanto a economia se recupera. E vamos aprovar uma lei de imigração que nos permita atrair os melhores talentos do mundo e continuar sendo o líder mundial em inovação.
Precisamos de todos os anteparos que pudermos conseguir agora, porque vivemos em um mundo de ameaças entrelaçadas em cascata que têm o potencial de virar nosso país de ponta-cabeça a qualquer momento. Não sabemos quando o próximo homem-bomba de Times Square poderá ter sorte. Não sabemos quanto tempo os EUA e Israel vão tolerar o programa nuclear do Irã. Não sabemos se o Paquistão vai se manter unido e o que poderá acontecer com suas armas nucleares. Não sabemos quando a Coreia do Norte vai enlouquecer. Não sabemos se a União Europeia poderá continuar financiando a dívida da Grécia, Hungria e Espanha - e que contágio financeiro poderá provocar se não puder.
"Não é nossa imaginação", diz o consultor de estratégia corporativa Peter Schwartz - há muito mais coisas assustadoras pairando sobre o mundo hoje. Desde o fim da Guerra Fria e a ascensão da internet, perdemos os muros e as superpotências que juntas mantinham os problemas do mundo mais contidos. Hoje, unidades cada vez menores podem provocar confusões cada vez maiores - e qualquer confusão que seja criada hoje se espalha mais depressa e mais longe que nunca.
É por isso que precisamos solucionar os grandes problemas que estão sob nosso controle, e não adiá-los ou fingir que mais soluções dirigidas pelos lobbies, pelo mínimo denominador comum, ainda são satisfatórias. Uma crise é algo terrível de se desperdiçar, mas uma recuperação e um alívio para respirar - que é o que temos neste momento - é algo realmente terrível de desperdiçar. Não queremos olhar para trás neste momento e dizer: como pudemos voltar aos negócios como sempre e aos obstáculos políticos mesquinhos, com tantos cisnes negros circulando à nossa volta? Então realmente vamos chutar a nós mesmos.
 
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves
 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Vazamento é o 11 de Setembro do meio ambiente, diz Obama .

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o atual vazamento de petróleo no Golfo do México terá um impacto na psique no povo americano comparável ao do 11 de Setembro.
"Da mesma forma que a visão sobre nossas vulnerabilidades e nossa política externa foi profundamente moldada pelo 11 de Setembro, eu acredito que esse desastre vá moldar a maneira como pensamos sobre o meio ambiente e a energia por muitos anos", disse Obama em entrevista ao site americano Politico.
O presidente americano, que visitará pela quarta vez nesta segunda-feira áreas afetadas pelo desastre, prometeu "avançar de forma decisiva em uma direção que nos dê o tipo de política de energia visionária e orientada para o futuro".
Obama disse ainda não ser possível prever se ocorrerá, ainda em sua geração, uma completa transição na economia americana que acabe com a dependência do petróleo.
"Agora, é a hora de começar a fazer essa transição e investir em uma nova forma de fazer negócios quando se trata de energia", disse.

Medidas

Na terça-feira, Obama detalhará as próximas medidas de seu governo sobre o vazamento em um pronunciamento sobre o assunto da Casa Branca.
O vazamento no poço localizado a 1,5 mil metros de profundidade começou no dia 20 de abril, após uma explosão na plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP, num incidente que provocou a morte de 11 trabalhadores.
Após várias tentativas frustradas de conter o vazamento, a BP conseguiu na semana passada colocar um dispositivo sobre a área danificada para recolher cerca de 15 mil barris por dia.
Segundo as estimativas, cerca de 40 mil barris de petróleo vinham vazando diariamente do poço desde o acidente.
Ainda nesta segunda-feira, executivos da BP devem ter uma reunião para discutir se irão suspender o pagamento previsto de dividendos aos acionistas.
A empresa vem sendo pressionada pelo governo americano para suspender o pagamento bilionário e usar o dinheiro no esforço de limpeza do vazamento.
Até o momento, a limpeza já custou à BP cerca de 1,6 bilhão.

Fonte: UOL NOTÍCIAS

Bom, acho que esse acontecimento ainda vai custar muito caro, para seres-humanos e para outros seres que serão prejudicados por essa onda preta.

Prestes a virar lei, monitoramento eletrônico de presos pode mandar 80 mil para casa.

O Brasil está prestes a adotar o monitoramento eletrônico de pessoas condenadas por crimes de pequeno potencial como alternativa para reduzir a superlotação dos presídios. Caso seja implementado no país, 80 mil presos de baixa periculosidade poderão deixar as superlotadas celas e passar a ser vigiados eletronicamente em casa.
Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o sistema carcerário brasileiro fechou 2009 com 473.626 presos e um déficit de aproximadamente 140 mil vagas. Destes, 80 mil têm direito ao semiaberto. O modelo, já adotado com sucesso em outros países e testado em diversos Estados, está previsto por duas novas regulamentações federais.
A primeira regulamentação que versa sobre o assunto foi aprovada pelo Senado no último dia 19. Trata-se de um projeto que altera a Lei de Execução Penal e acrescenta o uso de instrumentos para monitorar presos do sistema semiaberto. Para entrar em vigor, falta apenas a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A regulamentação dos parâmetros para adoção do monitoramento em substituição à prisão ainda deverá ser feita pelo Ministério da Justiça. Paralelamente, a proposta do novo Código Penal, que chegou à última fase de debate na semana passado no Senado, também prevê a adoção do modelo.
Outro ponto citado como vantajoso do sistema é o preço. Segundo a Câmara dos Deputados, cada preso brasileiro custa em torno de R$ 1.600 por mês. Já com uma tornozeleira ou pulseira eletrônica, esse valor cai para cerca de R$ 400.
O Depen (Departamento Penitenciário Nacional) informou ao UOL Notícias que não possui dados sobre quantos Estados e quais os resultados dos testes já feitos no país, pois as unidades da federação são autônomas para suas avaliações. Mas adiantou que aprova o monitoramento eletrônico.
O diretor-geral do Depen, Airton Aloísio Michels, acredita que o monitoramento trará benefícios à sociedade. “A ideia é possibilitar que presos condenados e provisórios com menor potencial ofensivo deixem de ingressar no sistema penitenciário tradicional, racionalizando o sistema penal brasileiro. Mas essa utilização pelo poder público e a definição do beneficiado dependerão de regulamentação legal”, disse.
Segundo ele, há possibilidade da utilização de tornozeleiras como forma alternativa à prisão nos casos de crimes de menor potencial ofensivo. “Iniciamos em 2009 a participação em eventos sobre o assunto para colher dados comparados de outros países, com o objetivo de verificar a forma que melhor atende ao Brasil", disse.
Estados já testaram
Mesmo sem regulamentação federal, muitos Estados já realizaram testes com tornozeleiras e adiantaram a discussão nas assembleias legislativas. Rio Grande do Sul e São Paulo aprovaram o monitoramento eletrônico de presos em 2008, enquanto o Legislativo do Rio de Janeiro deu o aval no ano passado.
Mato Grosso do Sul e Paraíba – que foi o primeiro Estado a realizar testes – estão com debates nos legislativos em andamento. Alagoas e Distrito Federal também já realizaram seus testes, que sempre são feitos com presos que concordam em participar da experiência.
Alguns Estados estão em fase ainda mais avançada para adoção do sistema. Em Pernambuco, que iniciou os testes em 2008, o governo já lançou edital há dois anos para adquirir até 5.000 tornozeleiras. A licitação prevê a realização de mais de 100 testes. Três empresas já passaram pelas avaliações, mas o processo ainda não foi finalizado. “Não podemos correr o risco de errar”, alegou o secretário-executivo de Ressocialização, Humberto Viana.
OAB questiona
O presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, argumentou, logo após aprovação de projeto no Senado, que é preciso aprofundar as discussões sobre o assunto. "Se não tivermos o devido cuidado, a tornozeleira pode vir a funcionar de forma inversa, marginalizando ainda mais o apenado ou provocando rejeição social", afirmou.
Outro questionamento levantado pelo presidente da OAB é se o Brasil está preparado para adotar o monitoramento. "De que adiantará o apenado ficar em casa se sua família não tiver meios financeiros que garantam sua sobrevivência? O Estado apenas transferirá a responsabilidade que é sua para a sociedade”, avalia.


Bom, se os presos na famosa "saidinha" em datas comemorativas já cometem crimes, e na maioria das vezes não retornam a prisão, já podemos ter uma noção de o que vai ocorrer com 80 mil detentos com uma uma tornozeleira eletrônica em suas casas desocupados. Como minha mãe diz "cabeça vazia, oficina do diabo".
  
"A justiça sem força e a força sem justiça são duas grandes desgraças."
(Joseph Joubert)

Sérgio Gabriel da Costa Rubio

sexta-feira, 11 de junho de 2010

A IMPORTÂNCIA DA VIDA.

Tudo nesta vida tem um lado positivo e precisamos apenas aproveitar com sabedoria, antes que seja tarde demais.
A grande sabedoria da vida está na maneira que conduzimos a nossa história. Muitos por medo de tentar, de arriscar viram prisioneiros. Muitas vezes aprisionados por uma situação que aos poucos consome a essência de viver.
Quantos por causa dos pré-julgamentos da sociedade já não deixaram de ser felizes? Quantos já não desejaram uma vida diferente? Quantos por medo da solidão desistiram de jogar tudo pro alto? Quantos tiveram a vontade de virar o jogo e na hora o sentimento de pena/inferioridade se manifestou? Quantos vivem relacionamentos só de aparências? Quantos nesta vida são infelizes porque não tentaram ou não se arriscaram?

Quantas circunstâncias que poderiam ser evitadas, mas ao contrário, vamos empurrando o caos da vida. Situações que nos amortecem em dose de elefante.Deixamos de viver por causa dos outros; deixamos de ser felizes pelo que vão pensar ou falar. Deixamos de viver emoções para morrer trancafiado no que a sociedade edita como correto.
 A importância de ter uma vida harmoniosa está nas escolhas que fazemos. Tudo isso é tão simples, como a arte de nos amar, ter o amor-próprio. Deseja ser amado, ame-se! Deseja sucesso, conquiste com determinação os seus ideais. Deseja uma vida diferente, faça a diferença, quebre os paradigmas e viva a vida plenamente.
Então, lembre-se, você possui a vida que cultiva. Se não deseja o que possui, jogue tudo pro alto e recomece. Recomeçar é sempre o melhor! Recomece quantas vezes for necessário. Recomeçar é mostrar que estamos vivos. Dê valor à vida, ela é única e sem volta.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Descoberto 2º vazamento no Golfo do México


O Departamento de Interior dos Estados Unidos confirmou no fim do dia de ontem a existência de um segundo vazamento de petróleo no Golfo do México.
No entanto, ao contrário do acidente com a plataforma Deepwater Horizon, da British Petroleum, este seria muito pequeno – menos de um barril ao dia.
Pequenas quantidades de óleo, numa média de um terço de barril por dia, estão vazando de um poço operado pela Taylor Energy. Em comunicado, a empresa confirma o vazamento mas diz que ele é “mínimo” e nunca chegou à costa.
O petróleo está vindo de uma antiga plataforma destruída em 2004 pelo Furacão Ivan, e não da Ocean Saratoga, propriedade da Diamond Offshore e operada pela Taylor, como alguns veículos chegaram a divulgar.
Especulações sobre este segundo vazamento na região vinham crescendo há algum tempo. Na segunda-fera, o jornal Press Register, do Alabama, confirmou a existência do problema com dados de um documento federal a que teve acesso.
O Golfo do México é local de uma das piores tragédias ambientais da história. Desde o dia 20 de Abril, quando explodiu a plataforma da BP, cerca de 800 mil litros de petróleo estão vazando por dia no mar. Até agora, todas as tentativas de conter o vazamento falharam, o que aumentou a pressão sobre a empresa e o governo americano.
O presidente Barack Obama, criticado por muitos por sua demora em responderão problema, já havia decretado uma moratória de seis meses em quaisquer operações de perfuração em águas profundas. Ontem, o Departamento de Interior divulgou um guia com sete medidas de segurança a serem obrigatoriamente adotadas por todas as exploradoras de gás em petróleo.
Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/tecnologias-verdes/descoberto-2o-vazamento-no-golfo-do-mexico-09062010-6.shl


Bom, depois não acreditam que o mundo pode acabar em 2012, não que eu acredite nisso, mas no modo que esse capitalismo avança extraindo e destruindo recursos naturais, de forma mal planejada e desordenada, contribuindo assim com a degradação do meio ambiente. Você me pergunta o que poderia acontecer, afinal ninguém bebe a água do oceano mesmo né, mas lembre-se que comemos o peixe dele, e outros seres também comem, isso poderia causar um abalo enorme na cadeia alimentar atingindo nós seres humanos diretamente e indiretamente. A culpa também não é só da BP, pois se não houvesse procura, não haveria tanta necessidade de produção desgovernada, e assim não correriam risco de acontecer um desastre ambiental desse porte. Mas acho que do jeito que está não tem como isso parar, viramos escravos de um sistema em que não podemos nem ao menos rejeita-lo, e se nós o rejeita-lo morreriamos de fome.
Como Gandhi diria “a Natureza pode suprir todas as necessidades da Humanidade, menos sua ganância”. Pense nisso!

Sérgio Gabriel da Costa Rubio, jovem consciente.

Comissão vota ‘inquirição’ de personagens do dossiê


Foi marcada para a tarde desta quarta (9) uma sessão da Comissão de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso.

Na pauta, a votação de um requerimento que sugere a audição de dois personagens envolvidos na polêmica do dossiê.

São eles: o policial Onézimo Sousa, aposentado da Polícia Federal; e o ex-sargento do serviço secreto da Aeronáutica Idalberto Matias, conhecido como Dadá.

Os dois participaram, em 20 de abril, da reunião na qual se discutiu a constituição de um grupo para espionar o presidenciável tucano José Serra.

São signatários do requerimento os deputados tucanos Gustavo Fruet (PR) e Emanuel Fernandes (SP).

Há chances reais de aprovação. A oposicionista tem maioria sobre o governo na comissão: quatro votos a dois.

O comando da comissão é tucano: na presidência, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Na vice, Emanuel, um dos autores do requerimento.

Na bancada, mais dois oposicionistas: Fruet, o segundo autor da peça; e José Agripino Maia (DEM-RN).

Pelo governo, apenas dois votos: o do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

A comissão não tem poderes para convocar Onézimo e Dadá. Vai apenas “convidar” a dupla a prestar esclarecimentos. O convite pode ser aceito ou não.

“Nosso objetivo é dar transparência a esse caso, jogar luz sobre ele. Até para impor um freio a esse tipo de operação, que vem se repetindo a cada eleição”, diz Fruet.

Noutra frente, o deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) protocolou na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara mais três requerimentos.

Num, sugere a convocação do ministro Jorge Hage (Controladoria-Geral da União). Nos outros, propõe que sejam ouvidos dois cidadãos americanos.

São eles: Scott Goodstein e Ben Self. Atuaram no comitê eleitoral do presidente dos EUA, Barack Obama.

Vieram ao Brasil para auxiliar na montagem da campanha de internet da presidenciável petista Dilma Rousseff.

E daí? Quem bancou a vinda da dupla a Brasília foi o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono da Dialog Comunicação.

A empresa de Benedito tornou-se, sob Lula, uma portentosa prestadora de serviços do governo. Beliscou contratos superiores a R$ 40 milhões.

Deseja-se esclarecer em que condições Benedito se tornou um financiador de despesas da campanha de Dilma. Faz doações oficiais ou repassa verbas por baixo da mesa?

Benedito tornou-se um freqüentador assíduo da casa onde funciona o braço de comunicação da campanha de Dilma, no Lago Sul, bairro chique de Brasília (foto lá no alto).

Partiu dele, aliás, a sugestão de aluguel do imóvel. Custa R$ 18 mil por mês. O empresário está vinculado também ao caso do dossiê.

Participou, junto com o jornalista Luiz Lanzetta, da reunião com o Onézimo, o policial federal de pijama; e Dadá, o ex-agente secreto da Aeronáutica.

Na versão de Onézimo, seria Benedito o provedor das despesas do grupo de espionagem que seria constituído para espionar Serra. Coisa de R$ 1,6 milhão.

Na contraversão de Lanzetta, que pediu desligamento do comitê de Dilma depois que o caso foi às manchetes, deu-se coisa diversa.

O jornalista sustenta que foi Onézimo quem o chamou para a fatídica reunião. Para quê? Para propor um trabalho de contra-espionagem.

O deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), delegado licenciado da PF, estaria montando dossiês contra políticos aliados do governo. Algo que Itagiba nega.

E por que o tucano Macris deseja ouvir também o ministro Jorge Hage? Porque a Controladoria-Geral da União investiga os contratos da Dialog com o governo.

Há suspeitas de fraudes em licitações. Também o TCU perscruta as relações da Dialog com o Estado. A depender do PSDB, a apuração será aprofundada.

Nesta quarta (9), o partido protocolará no TCU um pedido para que sejam investigados todos os contratos firmados pela empresa de Benedito com o governo Lula.

De resto, o partido de Serra preparava na noite passada um pedido de investigação que será protocolado na Procuradoria-Geral da União.

Fonte: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2010-06-01_2010-06-30.html#2010_06-09_05_26_25-10045644-0