quarta-feira, 21 de julho de 2010

Trabalho Digno


Todo trabalho é digno? Escutamos essa frase em nossa sociedade, mas qual a definição de dignidade? O que faz de um trabalho digno?
Dignidade no dicionário: digno (dig-no) adj. Merecedor: digno de elogios; Apropriado, conforme: filho digno do pai; Honesto, honrado: um homem muito digno.
Dignidade para a sociedade: “A dignidade é a palavra que define uma linha de honestidade e ações corretas baseadas na justiça e nos direitos humanos, construída através dos anos criando uma reputação moral favorável ao indivíduo. Respeitando todos os códigos de ética e cidadania e nunca transgredindo-os, ferindo a moral e os direitos de outras pessoas.Ser digno é obter merecimento ético por ações pautadas na justiça, honradez e na honestidade.”

Com essas definições poderíamos dizer que todo trabalho é digno? Se pensarmos logicamente ficaria mais ou menos assim, “Todo trabalho é digno, existem vários tipos de trabalhos, como, trabalho manual, trabalho infantil, trabalho intelectual e trabalho escravo, logo trabalho manual, trabalho infantil, trabalho intelectual e trabalho escravo são dignos.” Temos senso comum de saber que trabalho escravo, e trabalho infantil não pode ser ditos como digno, pois não respeitam os códigos de ética e cidadania, e ferem a moral das  pessoas que efetuam esse tipo de trabalho. Então logicamente nem todo trabalho é digno; são essas as principais questões que diferem um trabalho digno de um não digno, são eles, a ética e a moral. Mas e pessoas que ganham dinheiro efetuando um trabalho que não são honestos? Bom, isso também é uma questão que difere um trabalho digno de um trabalho não digno, pois sem honestidade por parte de um trabalhador, vai estar ferindo a moral de outras pessoas, e isso não lhe faz ter merecimento ético, pois também não estará agindo com justiça.

Mas e socialmente falando? Para algumas pessoas esse símbolo de trabalho digno acaba ficando em segundo plano, pois existem pessoas que necessitam de recursos, que na maioria das vezes não é proporcionado pelo governo, e acabam se submetendo a trabalhos não dignos. Outras pessoas acham que um trabalho digno,  pelo fato de ter poder, respeito, reconhecimento e dinheiro, e acabam tendo o respeito de sua comunidade, mesmo sendo um trabalho que não pode ser considerado honesto, pois não respeita a justiça, como no caso das “facções criminosas” que comandam o tráfico em favelas e em comunidades carentes, tendo assim o reconhecimento de sua comunidade, pois exercem uma posição de poder em sua comunidade, causando medo e até mesmo ferindo a moral de alguns indivíduos, mas estabelecendo uma posição que acima de tudo lhes proporcionam respeito e reconhecimento, e isso acaba sendo um padrão de trabalho digno, para crianças e adolescentes que convivem nessas comunidades e vêem esses traficantes com esses atributos e acabam querendo trilhar o mesmo caminho deles, como se fossem seus “heróis”.

A dignidade de um trabalho é taxado por cada comunidade, e isso nós faz crer que “o trabalho é digno tão quanto a comunidade”, pois se em uma comunidade sem recursos, um trabalho desonesto e que não é justo, for reconhecido como digno, é sinal que essa comunidade usa desse padrão de dignidade para viver. Então um trabalho é digno, quando a comunidade é digna, se a comunidade não for digna, logo o trabalho não é digno.

Seja digno, e desempenhe um trabalho digno na sociedade.

Sérgio Gabriel da Costa Rubio

terça-feira, 20 de julho de 2010

Eleições: "Dilma Boy" vs "Serra Boy", fazem campanha digital


Como já era esperado uma replica , como nos debates, um eleitor do candidato José Serra fez o que todos não imaginavam, uma montagem do “Dilma Boy” cantando a música de campanha do candidato Serra. O vídeo foi postado ontem, e não teve tantos exibições como o original “Dilma Boy”.
É me parece que essa briga entre os “Serras Boys” e “Dilma Boys” vai longe, agora só falta surgirem “Marina Boys”, acho que não vai demorar não, pois a candidata está com mais de 100 mil seguidores em seu twitter, e ainda também mantém um Blog que também tem muitos seguidores e admiradores. Vemos aqui um tipo novo de campanha, a “Campanha Digital”. Agora sabemos que os candidatos também fazem parte do plano de inclusão digital!

Sérgio Gabriel da Costa Rubio

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Enem: as instituições particulares venceram novamente

Já não é novidade que escolas particulares se dão bem no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), e que isso não é motivo para alarde da população geral pois o governo diz que nossas escolas publicas estão boas e o ensino está melhorando cada vez mais. Mas com esses resultados não vejo nenhuma melhora, pois eu estudo em uma escola publica e sei como o ensino é conturbado, e até mesmo desgastante para alunos que querem aprender, pois em uma sala com apenas um professor, que tem um turno de doze horas diário de aulas ou mais, para quarenta alunos na média em cada aula, isso não só é desgastante para o aluno, mas muito mais para o professor que se esforça para ensinar algo para esses quarenta alunos, enquanto só dez prestam atenção e os outros trinta disputam a atenção da professora com o resto dos alunos, fazendo “palhaçadas”, conversando e “zuando”, o que é cansativo também para os alunos que querem aprender, pois uma matéria que a professora poderia passar em uma aula de 50 min., acaba se tornando uma aula de três dias, pois o professor tem que fazer inúmeras interrupções na aula , tornando assim a aula chata e cansativa até para os que querem aprender.
Acho que o sonho de todo aluno dedicado é estudar em uma universidade publica, pois é gratuito e além disso é excelente. Mas nas escola publica a maioria dos alunos não pensam sequer em se forma em alguma faculdade, quem dirá em faculdade publica, que é super disputado, e para passar precisa estudar muito. Mas se formos ver a maioria dos alunos de universidades publicas estudaram em escolas particulares no ensino médio, e entraram na universidade publica, que em tese, seria destinada a alunos de escolas publicas. Com isso alunos de escolas publicas entram em universidades particulares, pagando mensalidade para se formar, enquanto o aluno de escola particular desfruta do bom e bem nomeado ensino de uma universidade publica, na qual nós estamos pagando também, através de impostos e tributos que pagamos todos os dias. Acho que o objetivo do político é deixar as pessoas carentes cada vez mais alienadas, vivendo em um mundinho que os políticos às iludem dizendo que está tudo perfeito, enquanto roubam milhões por baixo dos panos.

“Queria ter nascido burro, assim não sofreria tanto...”
 Raul Seixas

Sérgio Gabriel da Costa Rubio

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dilma Boy: Plagiando Lady Gaga e a campanha do Obama


Eleitor pró Dilma faz paródia com musica  da Lady Gaga, a letra da paródia faz uma apologia pró Dilma,  isso me faz recordar dos vídeos que eram postados no You Tube na campanha do presidente do EUA Barack Obama. Como os candidatos não podem contratar artista para fazer campanha para eles essa é uma maneira boa e divertida de fazer campanha, mas tomare que não vire moda, já imaginou um eleitor fazendo uma paródia do candidato do “aero trem”?
Só nos resta esperar e ver mais perolas dessa eleição de 2010, com pessoas defendendo seus candidatos dessa mesma maneira. Aposto que como nos debates vão fazer uma réplica desse vídeo pró José Serra. Mas o que seria mais divertido ainda era os candidatos a presidência serem os autores dessas paródias e eles mesmos encenarem o vídeo como fez o “Dilmaboy”.
Temos que pensar também que é melhor essa forma de campanha do que fazer propaganda com panfletos, pois os chamados “santinhos” poluem e as ruas em épocas de eleição.
Só tenho uma dúvida se esse “Dilmaboy” fez o vídeo com boa intenção, ou só queria seus cinco minutos de fama. Mas o que vale é a intenção de lutar em pró daquilo que você acha melhor para sua sociedade. Como eu não posso votar fica a serviço de vocês eleitores escolherem os canditatos...
Sérgio Gabriel da Costa Rubio.

Início do conteúdo Lei que restringe sacola plástica começa a valer no Rio

SOLANGE SPIGLIATTI - Agência Estado

A lei que determina que supermercados e estabelecimentos comerciais de médio e grande portes do Rio de Janeiro substituam sacos plásticos por sacolas reaproveitáveis entra em vigor hoje. O prazo para a substituição destas sacolas é de dois a três anos para microempresas e empresas de pequeno porte. Para as empresas de médio e grande portes, o prazo é de um ano, conforme a lei.
Alguns locais serão fiscalizados e orientados hoje por fiscais da Coordenadoria Integrada de Combate a Crimes Ambientais (Cicca) e da Superintendência de Educação Ambiental, informou o governo estadual. Os consumidores também serão alvo da campanha educativa da Secretaria do Ambiente. Serão distribuídos folhetos explicativos sobre as consequências negativas para o meio ambiente do uso de material não degradável como as sacolas plásticas.
Quem optar por não usar esses sacos vai ganhar desconto nas compras. A cada grupo de cinco itens comprados, haverá um abatimento de R$ 0,03 do valor total da compra. O consumidor que devolver sacolas plásticas também será beneficiado: a cada 50 unidades, o cliente ganha um quilo de arroz ou feijão.
A partir da década de 80, quando as sacolas foram introduzidas no País, elas passaram a ser reutilizadas para o acondicionamento do lixo. Como geralmente estão misturadas a outros resíduos, ficam contaminadas e inutilizadas para a reciclagem.

Fonte: Estadão

São coisas tão simples assim que podem salvar a natureza, mas só não entendo que mesmo as pessoas sabendo que as sacola de plástico poluem, é preciso dar algo em troca para os consumidores pararem de usa-la com descontos e prémios... Bom mas já é alguma coisa pelo menos.

Sérgio Gabriel da Costa Rubio.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Rússia pede que Irã esclareça detalhes de seu programa nuclear

O presidente russo, Dmitry Medvedev, aumentou a pressão sobre o Irã nesta quinta-feira, exigindo uma explicação pelos "componentes militares" de seu programa nuclear.

A Rússia tem mantido laços comerciais lucrativos com a República Islâmica nas últimas duas décadas, mas o Kremlin sob o comando de Medvedev tem adotado um tom claramente preocupado sobre a potencial ameaça de um Irã nuclearmente armado.

"Eu gostaria de dizer que o Irã é nosso parceiro comercial relativamente ativo e tem sido testado ao longo do tempo, mas isso não significa que somos indiferentes à forma com que o Irã está desenvolvendo seu programa nuclear e não somos indiferentes à forma que os componentes militares do programa correspondente aparentam", disse Medvedev.

"Nesse sentido, estamos aguardando explicações apropriadas do Irã", disse ele em entrevista coletiva conjunta ao lado da c chanceler alemã, Angela Merkel, na cidade de Yekatenburg, na região dos Montes Urais.

O governo norte-americano do presidente Barack Obama transformou em prioridade conquistar o apoio russo para uma postura mais dura contra o Irã. Os países do Ocidente suspeitam que Teerã tem como objetivo a criação de armas atômicas. O Irã afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos.

Em um discurso na segunda-feira, Medvedev alertou pela primeira vez que o Irã estaria se aproximando de conseguir tais armas, na avaliação mais sincera de um chefe do Kremlin na última década sobre a suposta ameaça do programa nuclear iraniano.

(Reportagem de Alexei Anishchuk)

Fonte: ESTADÃO

Temos que ver cenas de pobreza, corrupção, violência de todos os tipos, problemas que não acabam mais; e quando olhamos a nossa volta, vemos gananciosos tentando literalmente conquistar o mundo, mesmo que tenha que fazer coisas absurdas para isso, travando guerras em busca de minérios, petróleos e riquezas naturais que geram lucros para esses senhores da guerra. O ser humano deveria ser mais desapegado em relação a dinheiro e bens materiais, e dar mais valor aos sentimentos e gestos verdadeiramente sinceros sem  nenhuma pretensão de outros seres humanos, pois se continuarmos nesse mundo materialista vão surgir cada vez mais pessoas gananciosas e capazes de fazer tudo em troca de bens materiais, em troca da riqueza. Mas lembre-se, dinheiro não traz felicidade.

Sérgio Gabriel da Costa Rubio.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Brasil começa a produção comercial do petróleo do pré-sal nesta quinta


Até final do ano, dois poços no Espírito Santo deverão produzir 40 mil barris por dia


A Petrobras começa nesta quinta, dia 15, a produção comercial de petróleo da camada pré-sal. O primeiro poço do Campo de Baleia Franca, na Bacia de Campos, no litoral do Espírito Santo, começará a produzir 13 mil barris de petróleo leve por dia. A produção será por intermédio do navio-plataforma Capixaba.


Mais um poço do pré-sal será perfurado no Baleia Franca no segundo semestre deste ano. Até o final do ano, os dois poços deverão produzir diariamente 40 mil barris de óleo por dia.


Campos do pré-sal como Jubarte, na Bacia de Campos, e Tupi, na Bacia de Santos, só estão produzindo petróleo em escala não comercial, nos chamados testes de longa duração.


Segundo o gerente-geral da Unidade do Espírito Santo da Petrobras, Robério Ramos, a produção comercial de Baleia Franca pode servir como uma espécie de laboratório para a exploração de petróleo na camada pré-sal em todo o Brasil.


– Além de produzir, as informações dessa produção de longa duração servirão para alimentar as informações para os demais projetos de pré-sal do nosso Estado e também do Brasil – afirmou Ramos.


O Campo de Baleia Franca faz parte de um grupo de campos chamado de Parque das Baleias localizado a cerca de 80 quilômetros (km) da costa capixaba, do qual também fazem parte Jubarte e outros cinco campos. Segundo a Petrobras, Parque das Baleias tem reserva estimada em 2,4 bilhões de barris, dos quais a metade estão localizados na camada pré-sal.


Além de Baleia Franca, a Petrobras produzirá petróleo do pré-sal no Campo de Baleia Azul, a partir de 2012, com o navio-plataforma Cidade Anchieta, e no norte do Parque das Baleias, a partir de 2014, com a plataforma P-58.


O começo da produção do pré-sal de Baleia Franca será marcado por uma cerimônia na plataforma e no Aeroporto de Vitória, com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli.




 Uma corrida em busca do ouro preto, uma energia não renovável, que polui todos os anos mais e mais nosso planeta, e polui cada vez mais as cabeças dos bilionários donos das petrolíferas e os países que as possuem,  capazes até de travarem uma guerra, espalhando o terror em troca de alguns bilhões de barris cheio de ouro preto, o petróleo.


“O macaco é um animal demasiado simpático para que o homem descenda dele”.


Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 12 de julho de 2010

As crenças e as suas qualidades Part. 2

2. Conceitos Básicos

Ao discutir as crenças, os filósofos usam uns quantos conceitos centrais. É difícil definir qualquer deles em termos que todos os filósofos aceitem, porque as definições estão normalmente associadas com teorias acerca do conhecimento, precisamente as teorias que iremos comparar neste livro. Mas se considerares os exemplos abaixo, irás quase de certeza concluir que são conceitos com que já estás familiarizado. Toda a gente os usa na vida quotidiana, de um modo geral e impreciso, ainda que não usem as mesmas palavras que os filósofos. (No que se segue irei frequentemente escrever uma palavra em itálico para indicar que é uma palavra que deve ser tida em atenção, ou em negrito se está entre os termos epistemológicos listados no Glossário no fim do livro.)

Racional/irracional

O Jorge tem um encontro com a Sofia, que é loura. Ela decide à última da hora não sair com o Jorge nessa noite, e ficar em casa a estudar. O Jorge fica furioso e decide que todas as louras são más. Nunca mais confiará numa loura. Isto é particularmente estranho uma vez que a sua mãe e a irmã, que sempre o trataram com muita gentileza, são louras. Mas daquele dia em diante, por muito amigável, delicada ou prestável que uma loura seja, o Jorge interpretará sempre o seu comportamento como mau.
A crença do Jorge em que todas as louras são más é uma crença irracional. Não tem origem no pensamento cuidadoso mas num impulso súbito e irritado que continua a agarrá-lo. (Falando de forma mais cuidadosa, podemos dizer que o modo como o Jorge adquiriu aquela crença foi irracional: foi irracional o Jorge adquirir aquela crença naquela altura e daquele modo.) Podemos dizer que foi uma crença louca e estúpida, embora o Jorge possa não ser nem louco nem estúpido. Muitos filósofos pensam que muitas das crenças das pessoas, incluindo crenças aceites por muitas gerações, são irracionais. São, em aspectos importantes, como as crenças do Jorge acerca das louras. As crenças supersticiosas como, por exemplo, a crença de que é má sorte um gato preto atravessar-se no nosso caminho, são boas candidatas a irracionais. Alguns filósofos defendem que todas as crenças religiosas são irracionais, e que é irracional acreditar numa diferença objectiva entre bem e mal. Muitos filósofos, é escusado dizer, discordam.
Compara o Jorge com a Sónia. A Sónia tem um pai cruel e o irmão é traficante de droga. Nenhum deles mostra qualquer afecto ou consideração por ela. Na verdade, à excepção de dois dos seus professores na escola, todos os homens que tiveram algum papel na sua vida foram maus. Contudo, quando lhe fazemos perguntas acerca da sua atitude para com os homens, ela diz: "Há muitos que são maus. Mas encontrei alguns decentes, de modo que tenho uma pequena esperança neles." Isto não parece irracional. É uma crença racional na medida em que não afirma mais do que as provas a que tem acesso sugerem, e deixa em aberto possibilidades que não são eliminadas por essas provas. Uma conclusão a tirar é que muitas vezes uma crença racional tem de ser expressa de forma mais subtil do que uma irracional em resposta às mesmas provas. A crença racional irá dizer menos frequentemente "todos" ou "nunca".

Verdadeiro/falso

Supõe que há um mecanismo no universo que garante que sempre que um gato preto se atravessa no caminho de uma pessoa, num futuro próximo algo de mau acontece a essa pessoa. Nenhum ser humano sabe da existência deste mecanismo, que opera segundo princípios físicos que os seres humanos nunca compreenderão. Por conseguinte, a crença em que é má sorte um gato preto atravessar-se no teu caminho é verdadeira. (Pelo que a crença de que os gatos pretos que se atravessam no nosso caminho em nada alteram a probabilidade da ocorrência de acontecimentos maus é falsa.) Mas ainda assim pode não haver qualquer boa prova disso: as combinações de gatos que se atravessam no caminho e os acontecimentos maus são demasiado subtis para que nos apercebamos delas. Por isso, a crença de que os gatos pretos dão má sorte é verdadeira, embora não existam boas provas a seu favor; é verdadeira apesar de a crença de que é verdadeira ser irracional. Pelo que as crenças irracionais podem ser verdadeiras. Esta pode ser uma conclusão surpreendente, mas é manifestamente correcta. Uma conclusão menos surpreendente é que as crenças racionais podem ser falsas. Podem existir razões muito fortes para acreditar em algo embora isso seja falso.

Provas

Os cientistas fazem experiências para encontrar provas a favor e contra as teorias científicas. Os detectives procuram provas demonstrando quem cometeu crimes. As provas podem assumir formas muito diferentes. O comportamento dos animais numa tarefa de aprendizagem, o padrão da luz no visor de um telescópio ou microscópio, uma carta confessando uma acção ― tudo isto e muito mais, em circunstâncias apropriadas, poderá ser considerado provas. Frequentemente quando se produz uma prova é com o fim de convencer alguém a mudar a sua maneira pensar, da crença para a descrença, da descrença para a crença, ou da neutralidade para qualquer delas. Sendo assim, a prova tem de ser de modo a que as pessoas que se pretende persuadir acreditem nela, tem de ser tal que quando elas pensam nela, se forem racionais, terão tendência para alterar as suas crenças. Desse modo, as provas produzidas pela defesa num julgamento podem ser um testemunho que mesmo um júri inclinado a condenar terá de levar a sério. Analogamente, as provas a favor de uma teoria científica poderão ser os resultados de uma experiência que mesmo alguém que acredite numa teoria rival terá que admitir ter sido realmente efectuada e ter dado realmente os resultados que deu.

Raciocínio e argumento

Quando as provas apoiam uma crença isso faz as pessoas pensarem que pode ser verdadeira. Devido a essas provas, fazem alguns raciocínios favoráveis à crença. Há muitas espécies de raciocínios. Às vezes, para persuadir alguém, não apresentas provas algumas, mas dizes, "Supõe que..." e depois tiras conclusões. Um advogado de defesa diz: "Suponha que outra pessoa além do meu cliente estava escondida em casa nessa noite", e de seguida mostra como é que essa pessoa misteriosa poderia ter cometido o crime e colocado a mala roubada do seu cliente na cena do crime. O júri pensa sobre isto e é conduzido através de passos de raciocínio pelo argumento do advogado. De seguida pode concluir: "Outra pessoa poderia ter feito isto" ou "se outra pessoa pudesse ter entrado em casa, poderia ter feito isto". Às vezes o raciocínio pode mostrar que uma crença é verdadeira sem usar qualquer prova. Por exemplo, supõe que um estudante diz a um bibliotecário: "O prazo de entrega terminou a 1 de Fevereiro e hoje é 1 de Março; a multa é 50$00 por dia, de modo que devo 1450$00", e o bibliotecário responde: "Mas este é um ano bissexto, pelo que me deves 1500$00". O raciocínio do bibliotecário mostra que a crença do estudante está errada sem ser necessário apresentar qualquer nova prova.

Justificado/injustificado

Imagina Pedro, que vive em Portugal e não sabe nada acerca dos animais da América do Norte. Ele nunca viu um alce ou um esquilo, e não sabe que género de animais são. A sua família faz uma viagem a Seattle, e no avião dão-lhe um livro, em inglês, com o título Animais da América do Norte. Na realidade o livro é uma brincadeira, e a maior parte da informação está errada. Em particular, a foto e a descrição de um alce são a de um esquilo, e a foto e a descrição de um esquilo são a de um alce. Em Seattle ele vai ao jardim zoológico e vê um alce. Pensa que está a ver o animal chamado "esquilo". Não é despropositado ele acreditar nisso, dado o que leu e o que está a ver. Com base nessa informação, a sua crença de que está a ver o que se chama um esquilo é uma crença justificada. A sua irmã Joana, que tem muito mais informação acerca dos animais da América do Norte, olha para o grande ruminante com grandes chifres e pensa imediatamente "É um alce", e a sua é também uma crença justificada. Muitas teorias do conhecimento são teorias de quando as crenças de uma pessoa são justificadas. Uma crença é justificada quando se baseia em informação que faz a adopção dessa crença ser uma estratégia melhor para conseguir a verdade do que a sua recusa. As pessoas tiram com frequência conclusões que não se podem justificar com a informação que têm. Por exemplo, se o Pedro pensar que uma vez que os alces têm chifres e que a palavra "alcedo" é parecida com "alce", os alcedos também têm chifres, então a informação ele tem é insuficiente para justificar a sua crença, a menos que tenha também alguma razão para acreditar que animais cujos nomes são parecidos são também eles parecidos.

Conhecimento/ignorância

O Pedro ignorava os nomes dos animais da América do Norte. Ignoramos todos muitas coisas: há muitas perguntas para as quais não sabemos as respostas. Provavelmente, nenhum ser humano sabe se há vida noutros planetas. Provavelmente, nenhum ser humano sabe como conseguir a paz universal. Provavelmente, nenhum ser humano sabe se o número de números primos gémeos (como 3 e 5, 11 e 13, 1,001 e 1,003) é infinito. Há muita gente que tem crenças acerca destas coisas. Algumas das suas opiniões são racionais e algumas são justificadas. Mas não se segue que qualquer destas opiniões seja considerada conhecimento. Para saber que há vida noutros planetas, uma pessoa teria de ter uma teoria poderosa de como a vida se desenvolve ou ter provas directas produzidas por essa vida. Para saber como conseguir a paz universal, uma pessoa teria de ter uma receita para produzir a paz e uma razão muito convincente que mostrasse como e por que razão ela funcionaria. Para saber que há um número infinito de números primos gémeos, uma pessoa teria de ter uma demonstração matemática correcta deste facto. Em resumo, e de forma bastante grosseira, para conhecer algo, a tua mente tem de estar ligada ao facto, e essa ligação tem de ser de alta confiança. Isto faz o conhecimento parecer muito especial e raro. Contudo, falamos como se soubéssemos muitas coisas. Quase toda a gente sabe os nomes dos seus amigos ou das suas amigas, e sabe que têm um nariz na cabeça. A maior parte das pessoas sabe que a Terra gira em torno do Sol e que 12 multiplicado por 13 é 156. Um sinal disto é que se pode confiar na maior parte das pessoas para dar informação segura acerca destas coisas. Visto deste modo, não é surpreendente que haja muitas controvérsias acerca do conhecimento: acerca do que é o conhecimento e acerca da questão de saber quanto conhecimento temos. Porque é ao mesmo tempo algo que parece bastante difícil de alcançar e algo que pensamos possuir em grande quantidade.
Nenhuma destas explicações era uma verdadeira definição. Havia nelas demasiados termos vagos e inexplicados: por exemplo, a ideia de uma ligação de "alta confiança" entre a mente e um facto. Mais adiante neste livro serão examinadas definições mais precisas destes termos. (Vê o capítulo 6 para mais elementos acerca do conhecimento, e vê a questão 15 no fim deste capítulo para mais elementos acerca da diferença entre crenças justificadas e racionais.) Mas as explicações provavelmente recordaram-te o suficiente acerca destes conceitos para que possas compreendê-los. O ponto importante a compreender agora é que todas estas palavras podem ser usadas para descrever características desejáveis e indesejáveis, boas e más, das nossas crenças. Não é de maneira alguma óbvio que exista apenas um género de características desejáveis das nossas crenças, de modo que estes aspectos bons e maus podem misturar-se em padrões complicados. Em particular, repara nas três complicações seguintes.

Pode obter-se um bom resultado através de um método mau. Por exemplo, pode-se chegar a uma crença verdadeira por um raciocínio irracional. Vês uma aranha, e porque te assustaste com as suas pernas peludas, pensas que deve ser venenosa. Esse é um raciocínio mau, mas pode acontecer que apesar disso a aranha seja venenosa. Há muitos exemplos destes na história da ciência. Por exemplo, William Harvey no século XVII formulou a teoria de que o sangue circula no corpo deixando o coração pelas artérias e voltando pelas veias. Ele chegou a esta conclusão ao pensar: o coração é como o Sol e o sangue é como a Terra, logo, uma vez que a Terra gira em torno do Sol, o sangue deve girar em torno do coração. Este raciocínio não é lá muito convincente, para ser generoso, mas levou-o a uma conclusão verdadeira. (Mais tarde fez experiências e encontrou provas melhores para a sua ideia.)

Um mau resultado pode ser obtido por um método bom. Por exemplo, o Pedro no exemplo acima não estava a raciocinar mal quando pensou que o grande animal à sua frente se chamava "esquilo". Ora considera uma cientista que testa um milhão de amostras de uma droga numa dúzia de espécies animais e não encontra quaisquer efeitos secundários. Na ausência de provas contrárias, justifica-se a sua conclusão de que a droga é inofensiva. Mas pode vir a verificar-se que em certas espécies de animais sob determinadas condições a droga é fatal. O juízo justificado da cientista era falso. (Este exemplo está relacionado com as questões sobre indução discutidas no capítulo 4.)

Crenças opostas podem estar ambas justificadas. O Pedro e a Joana têm ambos crenças justificadas, segundo as provas diferentes disponíveis a cada um. As pessoas de há milhares de anos não eram estúpidas quando pensavam que a Terra era plana e o Sol girava em seu redor, tal como não somos estúpidos em acreditar que é esférica e gira em torno do Sol. Em relação às provas disponíveis para os homens da Antiguidade, a sua crença era razoável. Nota, contudo, que as crenças opostas não podem ser ambas consideradas conhecimento. Se a Terra é realmente plana, então estamos errados ao pensar que sabemos que é esférica.

Estas três complicações são análogas às complicações que surgem sempre que aplicamos vários géneros diferentes de qualidades boas e más. Em particular, são análogas às complicações que surgem em ética, quando tentamos compreender as qualidades boas e más das acções humanas. Aí também verificamos que um bom resultado pode ser obtido por um mau método, como quando alguém ataca um rival por invejas mesquinhas e, desse modo, impede acidentalmente o rival de cometer um assassínio. E verificamos que um mau resultado pode ser obtido por um bom método, como quando uma pessoa salva a vida de um banhista que está a afogar-se, e ele comete depois vários assassínios. Podem igualmente justificar-se acções opostas , como quando duas pessoas estão num edifício em chamas e uma se precipita para fora de modo a sobreviver para cuidar dos seus filhos e a outra se precipita para o interior para salvar algumas crianças que estão lá presas.
A analogia com a ética é de grande alcance. Aplicamos muitas das mesmas designações quando avaliamos acções e raciocínios: cuidadoso, descuidado, seguro, desajeitado, (in)preciso, (ir)responsável, eficaz, insípido e por aí adiante. Temos na vida quotidiana padrões e critérios para os modos como agimos e como formamos as nossas crenças, padrões e critérios que a filosofia pode tentar compreender e talvez mesmo melhorar.